Na casa de madeira que é o ponto de parada,
histórias para contar no happy hour
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O Armazém Santa Ana
tem 70 anos de muita história, e é o mais
antigo de Curitiba ainda em funcionamento. Quando foi
criado por Paulo Szpak, um ucraniano
que veio ao Brasil em 1929, com apenas 19 anos, o local,
no distante bairro do Uberaba, era ponto de descanso de
tropeiros. Hoje, é ponto de parada de um público
que busca uma boa cerveja. Antes de abrir o armazém
na casa de madeira típica, pintada de laranja,
Paulo trabalhou num areial, em obras de estradas e como
sapateiro. Casado com filha de poloneses Julia Zielonka,
teve três filhos: Pedro, Vitoldo e José.
    O casarão que vendia secos
e molhados, com telhado alto e varanda, também
oferecia querosene e grãos a granel. Pedro, o herdeiro,
ampliou a gama de produtos, introduzindo a venda de ferramentas,
baldes, pregos, lampiões, panelas, e utensílios
de ferro e metal, mas também ampliou os de itens
de secos e molhados.
    Com a terceira geração
à frente dos negócios, os filhos Ana e Fábio
acompanham o sinal dos tempos, deixando de lado as ferragens,
destinando a varanda para ponto de encontro de amigos.
Junto aos secos e molhados e ferramentas, passaram a vender
salames, queijos, broas caseiras, embutidos, compotas
de frutas produzidas artesanalmente, vinhos, cerveja caseira
e afins.
    Os quitutes preparados na casa são
atração à parte para quem gosta de
deixar para trás o rebuliço urbano e seguir
pela avenida cheia de meandros que leva ao sudeste da
cidade, margeando ainda pequenas propriedades agrícolas
e bucólicas paisagens com muito verde, mas que
aos poucos dão lugar ao progresso e à especulação
imobiliária.
    No armazém o tempo quase parou
sobre a mesa coberta com oleado floral e ladeada pelo
banco comprido onde os amigos reúnem em torno de
tira-gosto tirado da barrica, do legítimo fernet.
No endereço, que em 1934 ganhou alvará como
“taverna de segunda classe no Umbará”,
enquanto se degusta salame, chouriço, queijo caseiro
ou rollmops, o estômago, agradece a brasileiríssima
feijoada, ou então ao típico barreado paranaense.
    Como os Szpack são de origem
ucraniana, não pode também faltar pierog,
que é o pastel eslavo de massa cozida. Entre uma
e outra garfada, um olhar sobre o imenso balcão
de madeira onde, ao lado da variedade de alimentos à
venda, martelos, rastelos, pás e vassouras de piaçava
disputam espaço e contam um pouco da história
do bairro surgido no século 18.
    Como opção tradicional
de boteco, tem ainda a carne de onça, - carne moída
de primeira, servida crua com bastante tempero verde sobre
uma fatia de broa de centeio. Para acompanhar, um bom
elenco de até 12 variedades de cervejas servidas
na temperatura correta, bem gelada. E, para acompanhar,
até 30 tipos de cachaça produzidas de forma
artesanal e que fazem a festa dos boêmios que têm
no armazém o último reduto de uma Curitiba
com jeito ainda de cidade do interior onde os colonos
vem trazer produtos para a feira.
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